Entre músicas, homenagens e reflexões sobre maternidade, saúde mental e cuidado, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA) promoveu, na manhã desta quinta-feira (7.05), um evento especial em celebração ao Dia das Mães. Realizado na sala de treinamento da Escola de Contas Conselheiro José Borba Pedreira Lapa (ECPL), o encontro reuniu conselheiros, servidores e colaboradoras da Corte em uma programação marcada pela emoção, com apresentação do Coral Vozes do TCE/TCM e palestras sobre o papel da maternidade, os desafios enfrentados pelas mulheres e a importância das políticas públicas de apoio às mães.
Ao iniciar o evento, o presidente do TCE/BA, conselheiro Gildásio Penedo Filho, destacou a tradição da Corte de Contas em celebrar o Dia das Mães e ressaltou a importância de reconhecer o papel desempenhado pelas servidoras que conciliam maternidade e vida profissional. Segundo ele, a data representa uma oportunidade de agradecer às mães pela dedicação diária e pelos esforços em equilibrar as responsabilidades familiares e o trabalho no serviço público.
“O Tribunal sempre faz questão de celebrar essa data. É uma tradição desta Casa homenagear as mães servidoras, que se dividem diariamente entre a missão valiosa da maternidade e a contribuição ao serviço público. Temos absoluta compreensão da dedicação exigida nessa tarefa”, afirmou o presidente.
Em seguida, o Coral Vozes do TCE/TCM, sob regência do maestro Neemias Couto, emocionou o público com as canções “Quando Te Vi”, “Lady Laura” e “Como é grande o meu amor por você”. A emoção continuou com a exibição de um vídeo com fotografias de servidores e servidoras ao lado de suas mães e filhos, em um momento de homenagem às famílias da Casa.
AUDITORIA E MATERNIDADE
Após a abertura, a auditora de controle externo Aline Mendonça apresentou a palestra “Auditorias do TCE/BA e políticas públicas voltadas à maternidade”. Em sua exposição, ela relacionou trabalhos realizados pelo Tribunal que envolvem as políticas públicas de assistência à saúde materna e à infância, destacando auditorias em maternidades baianas e iniciativas voltadas ao cuidado com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A auditora explicou que a ideia da palestra surgiu a partir de uma reflexão sobre os indicadores da primeira infância no Brasil e da situação da Bahia em relação ao pré-natal, mortalidade materna e assistência às gestantes. Ela destacou que auditorias realizadas pelo Tribunal identificaram problemas persistentes na estrutura e distribuição de leitos em maternidades do estado, o que motivou novos acompanhamentos desses trabalhos.
Segundo Aline Mendonça, o objetivo da apresentação foi demonstrar como o controle externo também pode contribuir para fortalecer políticas públicas de apoio às mães, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade social. Ela também ressaltou auditorias relacionadas à educação, ao esporte e a projetos sociais voltados para crianças e adolescentes, além de parcerias acompanhadas pelo Tribunal em iniciativas como o Coletivo Maria Pela Paz, o Projeto Axé e o Neojiba.
“A maternidade não se resume ao parto. Ela envolve cuidado diário, dedicação e amor. Por isso, o Estado também precisa funcionar como uma rede de apoio para essas mães, especialmente as mais vulneráveis”, afirmou a auditora do TCE/BA.
CONEXÃO ENTRE PAIS E FILHOS
Na sequência, a psicanalista e especialista em Psicologia Positiva e Ciência do Bem-Estar, Michelle Garrido, ministrou a palestra “Maternidade: desafios invisíveis e saúde mental”. Em uma fala marcada por relatos pessoais e reflexões sobre a criação dos filhos, ela destacou a maternidade como uma experiência transformadora e abordou os impactos emocionais da carga feminina na sociedade contemporânea.
Michelle afirmou que a maternidade é uma das experiências mais potentes da vida da mulher e ressaltou que, apesar das conquistas profissionais e sociais femininas, o cuidado com os filhos continua exigindo presença, vínculo e dedicação emocional. “Não existe acrescentar maternidade à vida que a gente leva. Filho é mudança de rota, é redefinição de vida”, declarou.
Durante a palestra, a psicanalista também chamou a atenção para o crescimento dos problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes, relacionando esse cenário ao enfraquecimento das relações familiares e da convivência dentro de casa. Segundo a psicanalista, muitos pais têm concentrado esforços em garantir conquistas materiais, mas acabam deixando em segundo plano a construção de vínculos afetivos com os filhos.
“A palavra de ordem para mim é conexão. Transformem a relação com seus filhos por meio da convivência, do diálogo e da presença verdadeira”, afirmou. Michelle destacou ainda que nenhuma realização profissional substitui a presença familiar na formação emocional das crianças. “Todo o resto é substituível. No trabalho, na academia, em qualquer lugar, outras pessoas podem ocupar aquele espaço. Mas, para um filho, mãe não tem substituição”, disse.
Ao compartilhar experiências da própria trajetória, Michelle Garrido contou que foi mãe aos 17 anos e conciliou a criação dos quatro filhos com a vida acadêmica e profissional. Ela relatou que sempre buscou construir uma relação próxima com os filhos e defendeu que o tempo de qualidade em família é essencial para o desenvolvimento emocional saudável.
“Eu nunca deixei de colocar meus filhos como prioridade absoluta da minha vida. A gente precisa entender que presença não é apenas prover ou cumprir tarefas, mas viver junto, conversar, criar memórias e construir relações verdadeiras”, concluiu a psicanalista.
Confira aqui as fotos do evento.