palestra brasilUma verdadeira aula sobre o processo histórico que marcou os acontecimentos que levaram à consolidação da Independência do Brasil na Bahia. Assim pode ser classificada a palestra intitulada “A Independência do Brasil na Bahia”, que o historiador, escritor, arquiteto e professor Francisco Senna proferiu, nesta sexta-feira (5.07), na sala de treinamento da Escola de Contas Conselheiro José Boirba pedreira Lapa (ECPL). O evento, que integra o projeto Ciclo de Palestras, reuniu servidores do TCE e TCM, além dos conselheiros Inaldo da Paixão Santos Araújo, Gildásio Penedo Filho e Antônio Honorato.

Representando o presidente do TCE/BA, o diretor da ECPL, conselheiro Inaldo da Paixão, abriu oficialmente o evento, parabenizando os presentes pela sede de conhecimento, além de elogiar o palestrante por brindar a todos com a apresentação dos principais eventos que definiram os rumos políticos e sociais da Bahia até os dias atuais. “No dia em que o caboclo e cabocla retornam para Lapinha, as Escolas de Contas do TCE e TCM retomam com o pé direito, com essa palestra, o Ciclo de Palestras, trazendo um dos maiores historiadores vivos do Brasil para falar numa data magna da Bahia e que todos os brasileiros precisam conhecer. Parabéns às Cortes de Contas e ao professor Chico, que de forma lúdica e lúcida, consegue revisitar aquilo que nos representa, que é a nossa história”.

abertura inaldoEm sua explanação, o professor Francisco Senna abordou com detalhes vários aspectos da Data Magna da Bahia: conjuntura, estratégias e heróis da independência do Brasil no estado. A apresentação ofereceu aos servidores do TCE e do TCM uma grande oportunidade de mergulhar na história do Brasil Imperial, evidenciando a importância do evento histórico, desde os fatos que o precederam e seus desdobramentos. “A consolidação da independência do Brasil se dá a partir do 2 de Julho, possibilitando que o Nordeste e o Norte do país se integrem ao Império do Brasil, cujo domínio estava restrito às províncias do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Então, a Bahia tinha um papel muito importante, digamos assim, de um estado a partir do qual o Brasil se tornaria essa unidade territorial que tem hoje. O Brasil não seria Brasil se a independência da Bahia não acontecesse naquele período”, revelou.

Chico Senna iniciou fazendo uma contextualização histórica e jogando luz sobre o cenário internacional, lusitano, brasileiro, local e baiano. O palestrante situou os participantes no século XVIII, o século do Iluminismo, da razão, da ciência. E ressaltando que tudo faz parte de uma conjuntura, explicou que o processo de independência do Brasil veio no bojo do processo de independência de toda América Latina, além das conquistas de Napoleão Bonaparte, destronando o Rei da Espanha e, em seguida, ocupando Portugal, e fazendo com que Dom João VI se exilasse no Brasil. “A independência é consequência do enfraquecimento das coroas portuguesa e espanhola, além da independência de todas as suas colônias. Ninguém conquista um país com um grito. São acordos, tratados e indenizações”, esclareceu.

Ele sinalizou ainda que a independência brasileira se deu a partir de um tratado de reconhecimento de Portugal, amparado pela Inglaterra, Áustria e pela Espanha. “O Brasil pagou uma indenização de dois milhões de libras esterlinas, divididos entre Portugal e Inglaterra. A carta do Rio de Janeiro só se torna real com o pagamento. E é bom que fique claro que o povo aderiu sob a ação das lideranças. A independência foi regida pelos senhores que tinham interesses econômicos, grandes comerciantes e produtores de cana-de-açúcar”.

Em seguida, apresentou os fatos históricos mais relevantes – internacionais, nacionais e locais – que antecederam e sucederam ao Dois de Julho de 1823. E, por fim, o processo histórico e suas conjunturas que levaram à luta patriótica pela consolidação da independência do Brasil, com relevância à importância e papel que a Província da Bahia representava à época.

O professor Francisco Senna concluiu sua palestra, sob aplausos, com a execução do Hino ao 2 de Julho.