Em uma edição carregada de significado, o Programa Casa Aberta celebrou, na tarde desta quinta-feira (30.04), 10 anos transformando visitas em experiências e estudantes em protagonistas do controle social. Entre corredores, salas e o plenário do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA), vozes jovens ecoaram curiosidade, descobertas e sonhos, como se cada passo dado ali fosse também um primeiro passo rumo à cidadania.
A iniciativa, que chegou à sua 9ª edição em 2026, recebeu 39 estudantes do 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Anfrísia Santiago, em Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador. Acompanhados da diretora Sarah Gomes e dos professores Elisângela Cunha, Alex Fontes, Geisiane Santos e Mirian Fernandes, os alunos foram acolhidos pela equipe da Escola de Contas Conselheiro José Borba Pedreira Lapa (ECPL), responsável pela condução do programa.
Logo na abertura, a diretora-adjunta da ECPL, Iaisa Sampaio, destacou o caráter simbólico da edição. “Então, é um dia em que comemoramos esse programa que, ao longo dos anos, aproxima o cidadão do tribunal. É tempo de celebrar [...] tenham uma tarde proveitosa, tirem dúvidas, questionem, sintam-se à vontade”, afirmou.
O diretor da Escola de Contas, conselheiro Inaldo Araújo, reforçou a importância do projeto ao lembrar sua trajetória. Ele ressaltou que o programa já recebeu cerca de 5 mil estudantes ao longo da última década e afirmou que a iniciativa tem um significado especial em sua vida. “Se eu sou egresso de escola pública, tudo que eu sou eu devo à escola pública. [...] Se vocês saírem daqui com a compreensão de fazer diferente, terá valido a pena”, disse, emocionado, convidando todos os presentes para cantar os parabéns ao Casa Aberta, com um bolo feito especialmente para a celebração.
Durante a recepção, os estudantes também assistiram ao vídeo da versão cidadã das Contas de Governo 2024 e foram orientados sobre como acessar esse conteúdo no portal do TCE/BA, aproximando o conhecimento técnico da realidade dos jovens.
FORMAS DE CONTROLE
No segundo momento da programação, os alunos participaram de atividades interativas que explicaram, de forma didática, o funcionamento do controle externo e a fiscalização dos recursos públicos. A assessora Olgacy Devay conduziu a apresentação com exemplos do cotidiano, comparando a auditoria à conferência de uma compra no supermercado. “Este processo de fiscalização, a gente chama de auditoria”, explicou, ao mostrar que o cuidado com o dinheiro público começa com atitudes simples.
Ela também destacou que qualquer cidadão pode exercer o controle social, utilizando canais como a Ouvidoria do Tribunal. A ideia foi reforçada pelo auditor de controle externo Juvenal Alves Costa, que compartilhou casos reais de atuação cidadã. Ele contou a história de estudantes que denunciaram as condições precárias de uma escola, o que levou à intervenção do poder público. “Isso é controle social, isso é o que nós, como cidadãos, podemos fazer”, afirmou, incentivando os jovens a participarem ativamente da fiscalização.
CELEBRAÇÃO E PRÊMIO
Um dos momentos mais marcantes da visita foi a ida ao plenário do TCE/BA, onde os estudantes foram saudados pelos conselheiros e assistiram ao novo vídeo institucional do TCE/BA, feito em homenagem aos 10 anos do Casa Aberta. Na ocasião, o presidente do TCE/BA, conselheiro Gildásio Penedo Filho, celebrou a trajetória do programa e anunciou a criação do Prêmio Jovens pela Cidadania. A iniciativa vai premiar estudantes participantes do Casa Aberta que produzirem redações sobre a experiência vivida. Ele destacou que o projeto tem como principal objetivo aproximar os jovens do Tribunal e estimular o interesse pela cidadania. Segundo o presidente, o prêmio surge como “estímulo” para fortalecer ainda mais essa conexão.
A conselheira Carolina Matos classificou o programa como uma “iniciativa brilhante” por apresentar a instituição a jovens em formação, destacando que o prêmio amplia o alcance pedagógico ao incentivar a produção textual e o pensamento crítico. Já o conselheiro Josias Gomes enfatizou o papel do programa na formação de cidadãos conscientes. Para ele, a experiência permite que os estudantes compreendam tanto a execução das políticas públicas quanto a importância de fiscalizá-las, contribuindo para a preservação da democracia.
Em discurso no plenário, o conselheiro Inaldo Araújo fez um balanço emocionado dos 10 anos do Casa Aberta. Ele ressaltou que “celebrar uma década não é apenas contar o tempo, é medir o impacto e o legado”. E destacou que o programa já alcançou mais de 4.800 jovens. “Aqui, os jovens não apenas visitam o Tribunal, eles vivenciam cidadania”, afirmou, ao defender que a educação é essencial para fortalecer o controle social e a democracia.
INSPIRAÇÃO
A programação foi encerrada com o jogo educativo “Conta Comigo!”, um quiz em formato de cartas que abordou temas como fiscalização de recursos públicos, funcionamento dos tribunais de contas e conteúdos interdisciplinares ligados à cultura baiana.
Ao final, a assessora da ECPL Olgacy Devay citou ensinamentos sobre conhecimento, empatia e convivência, incentivando os estudantes a levarem não apenas aprendizado técnico, mas também valores humanos. “Saber é indispensável. Ser é mais do que saber, mas amar é ainda muito mais do que ser”, disse, ao estimular os jovens a construírem trajetórias baseadas no conhecimento e na solidariedade.
IMPACTO NA FORMAÇÃO DOS ESTUDANTES
A diretora da Escola Municipal Anfrísia Santiago, Sarah Gomes, destacou que a visita vai além de uma atividade pedagógica. Segundo ela, a experiência contribui diretamente para a formação cidadã dos alunos, permitindo que desenvolvam consciência crítica e compreendam o uso dos recursos públicos. “Essa vivência também estimula a compreensão de direitos e deveres, ampliando a visão de futuro e despertando interesse por áreas profissionais. Isso fortalece o vínculo com a escola e permite que os alunos se reconheçam como cidadãos ativos, capazes de entender, questionar e agir para transformar a realidade ao seu redor”, reconheceu a diretora.
Entre os alunos, o entusiasmo foi evidente. O estudante Nicolas Mariano, de 16 anos, do 8º ano, afirmou ter ficado surpreso com o funcionamento do Tribunal. “Gostei muito dessa experiência [...] nunca tinha visto uma coisa dessas. O tribunal fiscaliza o uso do dinheiro, várias coisas que eu não sabia”, relatou, acrescentando que gostaria de voltar ao local no futuro.
A estudante Kailane Costa, de 12 anos, destacou o aprendizado adquirido. “Eles ensinaram várias coisas que vão ser supereficientes na minha vida, e que eu vou levar pra vida toda”, disse. Já Raquel Figueroa, também de 12 anos, ressaltou a recepção acolhedora e a importância prática do conteúdo apresentado. “Aprendi coisas que vão me ajudar em muitos momentos da minha vida”, afirmou, citando como exemplo a atenção na conferência de notas fiscais no dia a dia.